O mercado pecuário brasileiro entrou oficialmente em um novo ciclo. Depois da fase amarga de 2023 e parte de 2024, quando a arroba do boi gordo ficou pressionada, 2025 marcou a virada. Preços entre R$ 300 e R$ 310 já mostram recuperação sólida. A grande pergunta agora é direta e sem rodeio. Em 2026, a arroba chega ou não aos R$ 400?
Virada do ciclo. Oferta curta e custo alto empurram os preços
Dados da CNA indicam que o custo de produção subiu cerca de 30% em 2025. O vilão tem nome. Reposição. Mais de 60% desse aumento veio do bezerro, reflexo do forte abate de matrizes no ciclo anterior. Menos bezerro no mercado significa menos boi gordo lá na frente. Simples assim.
Essa restrição de oferta não some do dia para a noite. Em 2026, o efeito continua. Resultado. Pressão direta sobre a arroba.
Especialistas veem espaço para R$ 360 a R$ 400
Para Thiago Pereira, zootecnista e Diretor de Conteúdo do Compre Rural, o cenário está desenhado para uma valorização forte. Se a produção cair em relação às 12 milhões de toneladas de 2025 e as exportações seguirem acima de 3 milhões de toneladas, o mercado físico pode operar tranquilamente entre R$ 360 e R$ 400 por arroba.
O alerta é claro. O bezerro pode passar dos R$ 4 mil já no primeiro semestre de 2026. Quem não se planejar vai ficar pelo caminho. Algumas indústrias já trabalham com bônus para entregas no início do ano. Não é caridade. É disputa por gado.
Nem tudo é euforia. China e câmbio entram no jogo
Fernando Henrique Iglesias, da Safras & Mercado, puxa o freio. Para ele, R$ 350 ou R$ 360 é perfeitamente plausível. R$ 400 só entra no radar se algo sair muito do script. Um dólar disparando ou um problema sério de oferta combinado com exportações ainda maiores.
Outro ponto crítico. A China deve anunciar em janeiro de 2026 se vai ou não impor salvaguardas à carne brasileira. Se vier restrição, o impacto é direto no preço interno. Quem ignora isso está brincando de roleta russa.
Scot Consultoria vê cenário favorável no primeiro semestre
Felipe Fabbri, da Scot Consultoria, avalia que a arroba pode sim flertar com a faixa de R$ 370 a R$ 400 no primeiro semestre de 2026. Tudo depende da capacidade da indústria de repassar preços e do comportamento do dólar, que pode ganhar força em ano eleitoral.
Existe um porém. O primeiro trimestre costuma ter consumo interno mais fraco por causa de impostos e despesas escolares. Por outro lado, a ampliação da faixa de isenção do imposto de renda tende a aumentar a circulação de dinheiro já em janeiro. Um empurra. O outro segura.
Exportações seguem como trunfo
Os números recentes animam. Em dezembro de 2025, o Brasil exportou quase 77 mil toneladas de carne bovina em apenas cinco dias úteis. O valor médio diário cresceu mais de 80% em relação ao ano anterior. Os Estados Unidos aparecem como destaque, pagando melhor e com tarifas mais favoráveis no início do ano.
No mercado interno, o consumo ainda encontra apoio em fatores clássicos. Décimo terceiro, contratações temporárias e recuperação gradual da economia. Nada revolucionário. Mas funciona.
Afinal. Chega ou não aos R$ 400?
Resposta curta e honesta. Pode chegar. Não é garantido.
O cenário mais provável aponta para preços entre R$ 350 e R$ 380 ao longo de 2026, com picos próximos de R$ 400 se alguns fatores se alinharem. Oferta restrita. Demanda firme. Dólar valorizado. Exportações batendo recorde.
O ciclo virou. Isso é fato. Quem entender o jogo, fizer conta e agir com estratégia tem tudo para ganhar dinheiro. Quem apostar no oba-oba pode perder o timing. Mercado é velho. Não perdoa amador.
Fonte: CompreRural

